
Pérola aos hipócritas - texto Jean wyllis
Pérola aos hipócritas! O Fantástico anunciou com estardalhaço justificável: “Duas professoras de Campo Grande foram afastadas da escola pública onde trabalhavam porque se apaixonaram. Uma pela outra. Uma decisão polêmica e que, para muitos, tem nome: discriminação”. A matéria exibida ontem, dia 18 de novembro, não me causou espanto nem me chocou. Embora eu esteja, hoje, relativamente “blindado” da discriminação por causa da condição de “celebridade” e por ser considerado, antes, um homem inteligente e articulado, já fui discriminado e ofendido por conta de minha orientação sexual. E tenho vários amigos que também já o foram também. Mais: por ser um intelectual que sempre esteve próximo dos militantes, ouvi, destes, inúmeros casos de homossexuais que perderam empregos ou não foram admitidos em empresas e escolas por causa da orientação sexual. Portanto, nada de novo há no rugir das tempestades.Contudo, a matéria do Fantástico – e este é o papel de um jornalismo comprometido com a ampliação da cidadania – serviu para mostrar, aos brasileiros ingênuos ou crédulos ou alienados ou hipócritas, independentemente da orientação sexual, que, apesar do sucesso das Paradas do Orgulho Gay, a homofobia e os velhos preconceitos em relação aos homossexuais ainda vigoram no Brasil. Nós, homossexuais conscientes ou atentos ou bem-informados ou engajados, já sabíamos disso e, por isso, defendemos a existência de uma lei que torne crime a discriminação por orientação sexual. A falsa cordialidade e a caridade dos que nos detestam nunca nos convenceram!É certo que, hoje, a gente vive melhor do que nossos antecessores viviam há vinte anos: algumas liberdades civis foram conquistadas “na marra” pelos gays, travestis e lésbicas militantes - essa gente que dá a cara a tapa. Mas, apesar deste pequeno avanço, a homofobia permanece entranhada no caráter da maioria dos brasileiros (incluindo, aí, muitos homossexuais); escondida, porque covarde; porém, vigilante como uma ave agourenta, sequiosa da morte de sua presa. A declaração do prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho, acerca do episódio é a materialização dessa homofobia a que me refiro e que se esconde na alma como um câncer se esconde no corpo antes de devorá-lo em metástase: “O que eu não concordei e jamais vou concordar é que uma situação como essa venha a ocorrer dentro da escola. Isso é inadmissível porque a escola é feita para ensinar e para aprender”. Esta declaração está em total acordo com a atitude da diretora da escola onde trabalhavam as duas professoras que se apaixonaram e com a decisão do corpo docente em demiti-las.Ora, se “a escola é feita para ensinar e aprender”, por que os alunos não podem aprender que existem homossexuais na vida? Por que devem crescer ignorantes da existência de homossexuais? Para discriminá-los no futuro quando descobrirem que os homossexuais são milhões e estão em toda parte? Sim, pois essa tentativa de condenar os homossexuais à invisibilidade ou à morte simbólica só serve para perpetuar os velhos preconceitos em relação a gays, lésbicas e travestis.Será que a diretora, o corpo docente e o prefeito de Campo Grande imaginam que o fato de um professor ser homossexual assumido vai influenciar o aluno a praticar a homossexualidade ou a assumir a identidade gay? Se sim, quero informá-los de que o fato de eu ter tido apenas professores heterossexuais ao longo de minha vida escolar não me influenciou a ser heterossexual nem me impediu de me tornar gay.Ora, o prefeito de Campo Grande não pode se esquecer de que a grande maioria dos homossexuais nasceu de pais heterossexuais e, com estes, conviveu boa parte de sua vida – o que não a impediu de se orientar para a homossexualidade. Se o prefeito fosse inteligente e pensasse um pouco não daria tais declarações; preocupar-se-ia, antes, em reciclar os professores da rede municipal de ensino de modo que eles abandonassem seus velhos preconceitos– frutos da ignorância e da desinformação – em relação à homossexualidade e, assim, deixassem de apodrecer as cabeças de seus alunos.Mas, o que mais me chocou na declaração de Nelson Trad Filho foi sua insistência em negar que fora preconceituoso e homofóbico em relação às duas professoras demitidas porque lésbicas: “Não houve, não vai haver nenhuma atitude ou ação discriminatória, tampouco preconceituosa em relação a esses fatos”. Esta é a postura da maioria: as pessoas praticam a discriminação, mas, não querem assumir o ônus de suas ações; não querem levar a pecha de preconceituosos porque “pega mal” diante do politicamente correto.Não há racismo no Brasil porque, aqui, os racistas não se assumem como tais nem dão conotação racista a suas práticas discriminatórias. Da mesma maneira, não há homofobia porque os homofóbicos estão sempre buscando justificativas ou inventando razões para suas práticas fascistas. Fingem tolerância e cordialidade em relação a negros e homossexuais e distribuem discursos demagógicos e cínicos em jornais e tevê, mas, por dentro, têm as almas consumidas por racismo e homofobia em metástase: a postura do prefeito de Campo Grande se parece com a dos intelectuais e formadores de opinião que, em artigos publicados na Folha de São Paulo e n’O Globo, têm se posicionado contra o projeto de lei que torna crime a discriminação por orientação sexual. Fariseus hipócritas! Mas eu tratarei do assunto e darei nome aos bois – que me perdoem os bois - no o próximo texto. Texto de Jeans willis
Pérola aos hipócritas! O Fantástico anunciou com estardalhaço justificável: “Duas professoras de Campo Grande foram afastadas da escola pública onde trabalhavam porque se apaixonaram. Uma pela outra. Uma decisão polêmica e que, para muitos, tem nome: discriminação”. A matéria exibida ontem, dia 18 de novembro, não me causou espanto nem me chocou. Embora eu esteja, hoje, relativamente “blindado” da discriminação por causa da condição de “celebridade” e por ser considerado, antes, um homem inteligente e articulado, já fui discriminado e ofendido por conta de minha orientação sexual. E tenho vários amigos que também já o foram também. Mais: por ser um intelectual que sempre esteve próximo dos militantes, ouvi, destes, inúmeros casos de homossexuais que perderam empregos ou não foram admitidos em empresas e escolas por causa da orientação sexual. Portanto, nada de novo há no rugir das tempestades.Contudo, a matéria do Fantástico – e este é o papel de um jornalismo comprometido com a ampliação da cidadania – serviu para mostrar, aos brasileiros ingênuos ou crédulos ou alienados ou hipócritas, independentemente da orientação sexual, que, apesar do sucesso das Paradas do Orgulho Gay, a homofobia e os velhos preconceitos em relação aos homossexuais ainda vigoram no Brasil. Nós, homossexuais conscientes ou atentos ou bem-informados ou engajados, já sabíamos disso e, por isso, defendemos a existência de uma lei que torne crime a discriminação por orientação sexual. A falsa cordialidade e a caridade dos que nos detestam nunca nos convenceram!É certo que, hoje, a gente vive melhor do que nossos antecessores viviam há vinte anos: algumas liberdades civis foram conquistadas “na marra” pelos gays, travestis e lésbicas militantes - essa gente que dá a cara a tapa. Mas, apesar deste pequeno avanço, a homofobia permanece entranhada no caráter da maioria dos brasileiros (incluindo, aí, muitos homossexuais); escondida, porque covarde; porém, vigilante como uma ave agourenta, sequiosa da morte de sua presa. A declaração do prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho, acerca do episódio é a materialização dessa homofobia a que me refiro e que se esconde na alma como um câncer se esconde no corpo antes de devorá-lo em metástase: “O que eu não concordei e jamais vou concordar é que uma situação como essa venha a ocorrer dentro da escola. Isso é inadmissível porque a escola é feita para ensinar e para aprender”. Esta declaração está em total acordo com a atitude da diretora da escola onde trabalhavam as duas professoras que se apaixonaram e com a decisão do corpo docente em demiti-las.Ora, se “a escola é feita para ensinar e aprender”, por que os alunos não podem aprender que existem homossexuais na vida? Por que devem crescer ignorantes da existência de homossexuais? Para discriminá-los no futuro quando descobrirem que os homossexuais são milhões e estão em toda parte? Sim, pois essa tentativa de condenar os homossexuais à invisibilidade ou à morte simbólica só serve para perpetuar os velhos preconceitos em relação a gays, lésbicas e travestis.Será que a diretora, o corpo docente e o prefeito de Campo Grande imaginam que o fato de um professor ser homossexual assumido vai influenciar o aluno a praticar a homossexualidade ou a assumir a identidade gay? Se sim, quero informá-los de que o fato de eu ter tido apenas professores heterossexuais ao longo de minha vida escolar não me influenciou a ser heterossexual nem me impediu de me tornar gay.Ora, o prefeito de Campo Grande não pode se esquecer de que a grande maioria dos homossexuais nasceu de pais heterossexuais e, com estes, conviveu boa parte de sua vida – o que não a impediu de se orientar para a homossexualidade. Se o prefeito fosse inteligente e pensasse um pouco não daria tais declarações; preocupar-se-ia, antes, em reciclar os professores da rede municipal de ensino de modo que eles abandonassem seus velhos preconceitos– frutos da ignorância e da desinformação – em relação à homossexualidade e, assim, deixassem de apodrecer as cabeças de seus alunos.Mas, o que mais me chocou na declaração de Nelson Trad Filho foi sua insistência em negar que fora preconceituoso e homofóbico em relação às duas professoras demitidas porque lésbicas: “Não houve, não vai haver nenhuma atitude ou ação discriminatória, tampouco preconceituosa em relação a esses fatos”. Esta é a postura da maioria: as pessoas praticam a discriminação, mas, não querem assumir o ônus de suas ações; não querem levar a pecha de preconceituosos porque “pega mal” diante do politicamente correto.Não há racismo no Brasil porque, aqui, os racistas não se assumem como tais nem dão conotação racista a suas práticas discriminatórias. Da mesma maneira, não há homofobia porque os homofóbicos estão sempre buscando justificativas ou inventando razões para suas práticas fascistas. Fingem tolerância e cordialidade em relação a negros e homossexuais e distribuem discursos demagógicos e cínicos em jornais e tevê, mas, por dentro, têm as almas consumidas por racismo e homofobia em metástase: a postura do prefeito de Campo Grande se parece com a dos intelectuais e formadores de opinião que, em artigos publicados na Folha de São Paulo e n’O Globo, têm se posicionado contra o projeto de lei que torna crime a discriminação por orientação sexual. Fariseus hipócritas! Mas eu tratarei do assunto e darei nome aos bois – que me perdoem os bois - no o próximo texto. Texto de Jeans willis







No dia 3 de Maio houve um pequeno levantamento que acabou com uma escaramuça com a polícia e com a morte de alguns protestantes. No dia seguinte, 4 de Maio, uma nova manifestação foi organizada como protesto pelos acontecimentos dos dias anteriores, tendo terminado com o lançamento de uma bomba por desconhecidos para o meio dos policiais que começavam a dispersar os manifestantes, matando sete agentes. A polícia abriu então fogo sobre a multidão, matando doze pessoas e ferindo dezenas. Estes acontecimentos passaram a ser conhecidos como a Revolta de Haymarket.T

















No silêncio do meu quarto, às voltas com minhas indefiníveis inquietações, pensando nas pessoas que sofrem de males mais palpáveis e concretos do que os da solidão, como fome, frio, dores provocados por doenças incuráveis e pelos maus tratos recebidos da vida, carentes de absolutamente tudo e muitas vezes ansiando, desesperadas, por alguém que somente as ouça, as valorize e as trate uma única vez com dignidade e respeito, faço, ansioso por uma resposta que sei de antemão que não terei, a mesma pergunta que o compositor Paul McCartney fez, na inspirada letra da canção "Eleanor Rigby", sucesso dos Beatles: "Haverá um lugar especial para os solitários?" Ou, para ser mais preciso em relação aos meus anseios, indago: "Haverá um lugar especial onde possamos estabelecer comunicação total com os semelhantes, sem precisar de palavras?" Fica a pergunta no ar...Mas acredito que não!


com alguns apartamentos de luxo situados na avenida de frente para a orla.
Daí a origem de três nomes de bairros conhecidos na Zona Sul do Rio de Janeiro. Além dessa, há outras origens possíveis para o nome flamengo, às quais o
Uma delas se refere à época das invasões holandesas ao Brasil. O nome teria origem na denominação dos prisioneiros também conhecidos por flamengos, que moraram na região durante o Seiscentismo (anos que abrangem o período de 1600 a 1699), trazidos de 

